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domingo, 5 de julho de 2009


Chatanooga Choo Choo

Pim Pam Pum

Pelo que me lembro, a televisão chegou devagarinho, começando com um período de testes, em que ficava horas com o logotipo da Piratiní – um índio no meio de uma espécie de disco – em stand by, com música ao fundo. Quando entrava no ar, era por algumas horas, e em geral a partir da tardinha, com um jingle característico, que até hoje ecoa na memória.

Quando a coisa já estava a todo vapor, entrou no ar um programa infantil: o Pim Pam Pum.

Que eu nem imagino se já houve similar em alguma época no mundo, um baita reality show: uma criança do público, depois de sorteada (muitos programas locais com audiência), poderia, em meio a um cenário que lembrava uma loja de brinquedos, e antes que soasse um alarme, pegar quantos brinquedos pudesse!!!...
As prateleiras eram atopetadas por todo tipo de brinquedo, dos menores, passando pelos jogos: cartas mágicas, ludo, dama, jóquei, dentista, médico, de química, mágico (que o guri ganha na “Era do Rádio”, do W.Allen), até a boneca Amiguinha e uma bicicleta! Desnecessário lembrar que naquele tempo... não havia televisão! Então, a nossa vida, a vida da gurizada, girava justamente em torno dos brinquedos: dos de rua e dos de casa. Quer dizer, conhecíamos todos os jogos e torcíamos para que a criança sortuda os pegasse; a boneca Amiguinha, então, nem se fala – era o sonho de toda a garota. Quase do tamanho de uma, e só faltando falar – como dizia a propaganda. Bicicleta, um sonho! complicado... não havia como pegá-la com o restante, pois ela não podia tocar o chão, era a regra. Se alguma criança tivesse conseguido segurá-la, junto com uma quantidade razoável de jogos e mais alguns pequenos brinquedos, equilibrados, a essa altura, na cabeça, teria certamente virado herói. E não duvido que o moleque que tenha conseguido realizar a façanha, se é que houve algum, não tenha sido carregado nos braços da turma morro abaixo. A indústria nacional dos brinquedos ainda era incipiente, não era muito comum tê-los. Nada comparado a essa onda consumista que hoje varre o país. Aliás, o jingle era: Pim Pam Pum, Estrela... (adivinha)

Pim Pam Pum, para mim, muito tempo depois, é um exercício, consumista, claro. Já me imaginei dentro de um super mercado, depois de uma apitada, correndo para a prateleira dos vinhos franceses, depois para os whiskeys, quem sabe logo a dos brinquedos, ou a dos cristais, ou ainda a dos queijos finos. Numa livraria! Em loja de departamentos, locadora, cruzes!...
No programa original, tudo era uma questão de equacionar o tempo com o quê se poderia agarrar com as mãos. Usar o cérebro, bolar estratégias, treinamentos!!!
E obstinados, disciplinados e esperançosos, passávamos horas treinando, combinando velocidade com o malabarismo de não deixar nada cair.
Poderia pegar dez jogos e passar muitos meses, feliz da vida, tendo o quê fazer, ou ir direto na bicicleta, com a qual daria inumeráveis voltas pelo Menino Deus...
Nos irritávamos um pouco com as crianças pobres que eram sorteadas e ficavam com cara de bobas. Parecia que nem conheciam os jogos... Tanto que a direção da tv deve ter se dado conta e decerto, por isso, parou de sortear coisas para as crianças pobres.
(Macabéa tu só sabe chover!...)

Por várias vezes na vida percebi que havia sido sorteada no Pim Pam Pum (que aliás, nunca fui, fora da imaginação): deveria namorar o cara rico, bonito e de futuro, mas tão chato... ou assumir o feinho, inteligente e divertido? Ir no fim de semana com aquele pessoal pra Floripa, ou ficar com o namorado inteligente e divertido?... Abrir mais um espaço cultural em Porto Alegre, permanecendo perto da família e assim poder criar meu filho num ambiente tranquilo, ou me largar pra São Paulo ou Rio pra deslanchar a carreira?... O quê se larga teria valido mais a pena segurar, ou o quê se segura não vale nada? Tentei aprimorar o malabarismo, ficando com dois ou três namorados ao mesmo tempo, trabalhando em duas cidades diferentes, e assumindo várias formas de expressão na arte. Algumas vezes, pelo olho grande, vi tudo desabar; em outras, me diverti pra caramba. E aprendi que, mais importante do que pegar ou manter um brinquedo, é a própria brincadeira de tentar. Tentar não esquecer de arriscar, de brincar.

5 comentários:

  1. Tem que deixar o motor funcionando,em ponto morto e Executar uma tarefa de cada vez.

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  2. gostaria de ouvir de novo a musiquinha do programa pim pam pim estrela .

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  3. ai, andré! é fácil falar em "ponto morto" quando se trata de mecânica. mas a metáfora valeu, porque o ponto morto é...
    .
    quase normal, na vida de tantas mulheres. mas no tal "pim, pam, pum" qdo levado à vida real de outras, ele só cabe quando o motor funde, depois de tantas marchas trocadas em várias
    e mis velocidades. aí, da-se uma parada para rearanjar o motor, mas logo se volta ao "ppp"
    que é da sua própria natureza ou assumido como
    desafio para sua própria vida.
    .
    nunca assisti, qdo criança, aos ppps das tvs e
    parece-me q eles continuam existindo nalguns
    programas de adolescentes e adultos que rolam
    porrai. triste, mas já vi, não me lembro onde.
    .
    o que não vem ao caso, porque o q interessa é
    o ppp imaginário. e concordo com rose qdo diz
    do sabor da vida estar na escolha e busca de
    opções, às vezes, difíceis de serem definidas.
    priorisadas. equacionadas entre si. que levam as mulheres a trancos e barrancos. que levam as mulheres ao malabarismo mesmo pra dar conta
    de suas opções.
    .
    é nesse buscar "dar conta de ser e estar" q a riqueza da mulher aflora. é na troca de uma marcha pra outra, numa ré, com choro porque
    ficou sem seu tripé e com risos por não ser a
    mulher qualquer. ela quer buscar mais. é seu desafio em ser assim. andarilha com ene rumos,
    mas a mulher cujo risco é buscar. brincando.
    .
    (palavras dela). concordo. rs
    .
    .

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  4. Só não concordo q seja "coisa de mulher". Pim pam pum é brincadeira de gente.

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  5. e pro amigo de cima a tá saudoso da trilha, ouça as q forma colocadas ao lado, são magníficas... obgada.

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