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domingo, 12 de julho de 2009

Você Já Foi à Bahia, nêga?
A Televisão

Não era nenhum lcd modelo xpt56vkl54 panorâmica widescreen e sabe-se lá quanta coisa mais que vão inventar ainda. Era apenas um lençol branco, de casal, de minha avó, na parede do quarto grande, com a ampla janela que dava para o jardim em sua plena exuberância de belezas e cheiros de verão. Mas me lembro até hoje do silêncio, comoção e reverência provocados no pequeno público quando aquele mágico e inusitado espetáculo começou. A “platéia” – os vizinhos, a criançada da rua e a família – foi improvisada com as cadeiras que havia na casa e com as que o público trazia das suas. Eu adorava quando os vizinhos – pessoas simples das redondezas – entravam na nossa casa; naquele tempo, vizinho era um diminutivo carinhoso (hoje é vizinhos, bah... com raras exceções).

Bem cedo na tarde, eu devia estar brincando pelo quintal, percebi uma movimentação. Meu Tio Arcílio estava aprontando uma das suas. Lembro dele equilibrado numa cadeira sob os olhares – e os palpites, claro – da minha avó, e, mais tarde, arrastando o projetor e aqueles enormes rolos de “fita”, como ele chamava.
Todo mundo bem acomodado, silêncio... e... MILAGRE! Na tela, roubando a cena e o meu coração... ninguém menos do que Pato Donald e Zé Carioca. Claro que amor à primeira vista, e para sempre (não importa o que dissessem depois meus amigos comunistas, nunca consegui ver o Pato Donald como um agente infiltrado da CIA). Adoro as suas implicâncias e a total falta de paciência. E não “apenas” (a penas) eles. Entre meneios, requebros e balangandãs, surge Aurora Miranda e o Bando da Lua!
Eu tive a exata sensação de andar por aquelas ruas, no filme do Disney, e acho que é isso que o cinema faz, ele nos transporta para dentro da tela. Saí de lá cantando o Você Já Foi á Bahia, e acho que nunca mais parei (de cantar). Naquela noite, quase que não consegui dormir. Durante vários dias, eu só via aquela tela, só queria voltar a viver aquela emoção.

Outros filmes vieram e o lençol tela por diversas vezes foi estendido embaixo da parreira.

O cinema era levado muito a sério na família. Muito antes de se mudarem para Porto Alegre, meu avô teve cinema, em São Jerônimo, e com dois de seus filhos saia pelas cidades vizinhas a espalhar felicidade pelas grandes e pequenas telas. Um tempo depois, meus tios resolvem, então, abrir o Cine Ipanema.

Mas... afinal... você já foi à Bahia?... Não?... Então vá. (olha a delícia do link aí ao lado)
(desça depois até os links de baixo e conheça o "Zé Carioca")
sugiro ainda dicionário cravo albin da mpb/ aloysio de oliveira/ dados artísticos (não consegui linkar)

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